Hérnia de Disco: Causas, Sintomas e Quando a Cirurgia Não é Necessária
Por Dr. Kleber Rangel · CRM-MG 68724 · Ortopedista e Especialista em Medicina da Dor
A hérnia de disco é um dos diagnósticos mais frequentes em pacientes com dor nas costas — e também um dos mais mal compreendidos. Muita gente acredita que hérnia de disco significa, necessariamente, cirurgia. Não é assim.
O que é hérnia de disco?
O disco intervertebral funciona como um amortecedor entre as vértebras da coluna. Ele tem uma camada externa mais resistente (ânulo fibroso) e um núcleo interno gelatinoso (núcleo pulposo). Quando esse núcleo se desloca para fora da sua posição normal — seja por pressão excessiva, degeneração ou movimento repetitivo — temos o que chamamos de hérnia de disco.
Dependendo da direção e do volume desse deslocamento, o material herniado pode pressionar raízes nervosas ou a medula espinal, gerando dor, formigamento ou fraqueza nos membros.
Tipos mais comuns
Hérnia de disco lombar (L4-L5 e L5-S1) — a mais frequente. Causa dor na região lombar que pode irradiar para a perna (ciatalgia ou lombociatalgia). O paciente sente queimação, formigamento ou dormência na coxa, panturrilha ou pé.
Hérnia de disco cervical (C5-C6 e C6-C7) — acomete o pescoço e pode causar dor que se irradia para o ombro, braço e mão, além de fraqueza nos dedos.
Sintomas que pedem avaliação
- Dor que piora ao sentar por longos períodos ou ao se levantar da cadeira
- Formigamento ou dormência que desce pelo membro
- Fraqueza progressiva em perna ou braço
- Dor que não melhora com repouso
- Perda de controle da bexiga ou intestino (emergência — procure pronto-socorro)
Hérnia de disco na ressonância não significa dor
Estudos mostram que uma parcela significativa das pessoas com hérnia visível na ressonância magnética não sente dor alguma. Isso significa que o exame de imagem isolado não define o tratamento — o que define é a clínica do paciente: como ele se sente, o que ele consegue ou não fazer no dia a dia.
Por isso, a avaliação detalhada em consulta é insubstituível. A imagem complementa o raciocínio clínico, não o substitui.
Quando a cirurgia é indicada?
A indicação cirúrgica é relativamente restrita. Em geral, considera-se a cirurgia nas seguintes situações:
- Fraqueza muscular progressiva com risco de paralisia
- Síndrome da cauda equina (perda do controle esfincteriano)
- Falha de tratamento conservador adequado após período razoável
- Dor incapacitante que não responde a nenhuma medida clínica
Fora dessas situações, o tratamento conservador bem conduzido — que pode incluir bloqueios guiados, fisioterapia, medicação e ajuste de hábitos — frequentemente permite controle satisfatório dos sintomas.
Tratamentos disponíveis sem cirurgia
Bloqueio epidural guiado por ultrassom — infiltração de medicamento anti-inflamatório próximo à raiz nervosa comprometida. Reduz a inflamação local e o edema ao redor do nervo.
Bloqueio facetário — indicado quando a dor tem componente articular além do discal.
Ozonioterapia paravertebral — o ozônio tem efeito anti-inflamatório e pode ser aplicado ao redor do disco herniado.
Fisioterapia e estabilização muscular — fundamental para qualquer protocolo de tratamento da coluna.
⚕️ Conteúdo informativo
Este artigo tem finalidade educativa e não substitui consulta médica. Cada caso é individual e requer avaliação clínica específica. CRM-MG 68724 · Publicidade médica em conformidade com a Resolução CFM 2.336/2023.
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