Coluna Vertebral

Hérnia de Disco: Causas, Sintomas e Quando a Cirurgia Não é Necessária

Por Dr. Kleber Rangel · MÉDICO · Ortopedista e Traumatologista · CRM-MG 68724 · RQE 43142 · Divinópolis-MG

A hérnia de disco é um dos diagnósticos mais frequentes em pacientes com dor nas costas — e também um dos mais mal compreendidos. Muita gente acredita que hérnia de disco significa, necessariamente, cirurgia. Não é assim.

O que é hérnia de disco?

O disco intervertebral funciona como um amortecedor entre as vértebras da coluna. Ele tem uma camada externa mais resistente — o ânulo fibroso — e um núcleo interno gelatinoso chamado núcleo pulposo. Quando esse núcleo se desloca para fora de sua posição normal, seja por pressão excessiva, degeneração ou trauma, temos o que chamamos de hérnia de disco.

Dependendo da direção e do volume desse deslocamento, o material herniado pode pressionar raízes nervosas ou a medula espinal, gerando dor, formigamento ou fraqueza nos membros.

Tipos mais comuns

Hérnia de disco lombar (L4-L5 e L5-S1)

A localização mais frequente. Causa dor na região lombar que pode irradiar pela nádega até a perna — o que chamamos de ciatalgia ou lombociatalgia. O paciente costuma relatar queimação, formigamento ou dormência na coxa, panturrilha ou pé, dependendo do nível acometido.

Hérnia de disco cervical (C5-C6 e C6-C7)

Acomete o pescoço e pode causar dor que se irradia para o ombro, braço e mão, além de fraqueza nos dedos. Às vezes confundida com tendinite ou síndrome do túnel do carpo, atrasando o diagnóstico correto.

Hérnia de disco torácica

A menos comum, mas que merece atenção — pode causar dor torácica ou sintomas que simulam problemas cardíacos ou abdominais. O diagnóstico exige exame clínico cuidadoso e confirmação por imagem.

Sintomas que pedem avaliação especializada

⚠️ Fraqueza muscular progressiva e perda do controle esfincteriano são sinais de alarme que exigem avaliação médica urgente — podem indicar compressão grave da medula ou cauda equina.

Hérnia de disco na ressonância nem sempre causa dor

Estudos populacionais mostram que uma parcela significativa das pessoas com hérnia visível na ressonância magnética não sente dor alguma. O exame de imagem registra a anatomia — mas é o exame clínico que avalia o impacto real sobre o paciente.

Por isso, a interpretação isolada da ressonância magnética não define o tratamento. O que define é o quadro clínico completo: como o paciente se sente, o que ele consegue ou não fazer, há quanto tempo tem os sintomas, se houve piora.

💡 Em muitos casos, a hérnia identificada na imagem não é a verdadeira causa da dor. Estruturas como as articulações facetárias ou a articulação sacroilíaca podem ser as responsáveis — e o tratamento é completamente diferente.

Quando a cirurgia é indicada?

A indicação cirúrgica para hérnia de disco é relativamente restrita. Em geral, considera-se a intervenção cirúrgica nas seguintes situações:

Fora dessas situações, o tratamento conservador bem conduzido frequentemente permite controle satisfatório dos sintomas — e em muitos casos a hérnia reduz espontaneamente ao longo do tempo.

Tratamentos disponíveis sem cirurgia

Bloqueio epidural guiado por ultrassom

Infiltração de medicamento anti-inflamatório próximo à raiz nervosa comprometida, com guia de imagem em tempo real. Reduz a inflamação local e o edema ao redor do nervo, aliviando a dor irradiada. A precisão do guia de ultrassom aumenta a eficácia e reduz o desconforto do procedimento.

Bloqueio facetário

Indicado quando a dor tem componente articular além do discal — situação frequente e frequentemente subestimada. O bloqueio das articulações facetárias pode proporcionar alívio significativo quando essa estrutura está contribuindo para o quadro.

Ozonioterapia paravertebral

O ozônio tem efeito anti-inflamatório e pode ser aplicado ao redor do disco herniado. A literatura mostra resultados promissores em casos selecionados, especialmente associada a outras modalidades terapêuticas.

Fisioterapia e estabilização muscular

Fundamental em qualquer protocolo de tratamento da coluna. A musculatura paravertebral bem treinada funciona como um suporte ativo para a coluna, reduzindo a carga sobre os discos e as articulações.

O que esperar da primeira consulta

Na avaliação, são coletadas informações completas sobre o histórico de dor — início, localização, fatores de melhora e piora, tratamentos anteriores. O exame clínico neurológico identifica se há déficit sensitivo ou motor. As imagens disponíveis são analisadas no momento da consulta, com o paciente presente.

Ao final, o paciente recebe um diagnóstico claro e um plano individualizado — que pode incluir desde orientações posturais até procedimentos intervencionistas, dependendo do caso.

📋 Traga para a consulta: ressonância magnética, tomografia ou raio-x da coluna (se tiver), lista de medicamentos em uso e descrição dos tratamentos já realizados. Se não tiver exames, eles podem ser solicitados após o exame clínico.

Dr. Kleber Rangel
Dr. Kleber Rangel — MÉDICO
Ortopedista e Traumatologista · CRM-MG 68724 · RQE 43142
Subespecialização em Coluna Vertebral — Santa Casa de São Paulo · Pós-graduação em Medicina da Dor

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⚕️ Conteúdo informativo e educativo. Este artigo não substitui consulta médica presencial. Cada caso é individual e requer avaliação clínica específica. A indicação terapêutica é definida após exame clínico. Os resultados podem variar de acordo com cada paciente. Dr. Kleber Rangel — MÉDICO · CRM-MG 68724 · RQE 43142 · Publicidade em conformidade com a Resolução CFM nº 2.336/2023.