O PRP virou moda. Isso é um problema — porque moda não tem indicação clínica, e PRP tem. Quando usado corretamente, em artrose de joelho grau 1 a 3, os dados são consistentes: redução de dor e melhora de função por 6 a 24 meses, superiores ao corticoide e comparáveis ao ácido hialurônico. Quando usado fora da indicação, não funciona.
Em resumo: O PRP (Plasma Rico em Plaquetas) usa fatores de crescimento do seu próprio sangue para modular inflamação e estimular reparo articular. A evidência mais sólida é em artrose leve a moderada de joelho. A concentração de plaquetas, o protocolo de centrifugação e a seleção do paciente determinam o resultado.
Existe uma quantidade considerável de evidência sobre PRP em artrose de joelho. O problema é que os estudos chegam a conclusões diferentes — e isso tem uma razão: o PRP não é um produto único. Concentração de plaquetas, presença ou ausência de leucócitos, número de aplicações e protocolo de centrifugação variam entre estudos. Quando se controla essas variáveis, o resultado fica mais claro.
Meta-análise publicada no American Journal of Sports Medicine (Bensa et al., 2025, 24 citações) analisou 18 ensaios randomizados controlados (1.995 pacientes) comparando PRP com placebo para artrose de joelho. O PRP demonstrou melhora estatisticamente superior em dor (VAS) e função (WOMAC) em todos os pontos de seguimento — 1, 3, 6 e 12 meses. Importante: PRP com alta concentração de plaquetas (≥1.000.000/µL) superou o MCID (diferença mínima clinicamente importante) em dor nos meses 3, 6 e 12. PRP com baixa concentração falhou em atingir benefício clinicamente perceptível em dor. A concentração importa.
Bensa A. et al., American Journal of Sports Medicine, 2025.Ensaio clínico randomizado multicêntrico, duplo-cego (Chu et al., 2022, 68 citações, Knee Surgery Sports Traumatology Arthroscopy) acompanhou 610 pacientes por 60 meses. O grupo PRP manteve melhora significativa em WOMAC, IKDC e VAS até os 24 meses de seguimento (p < 0,001 vs. salina). Aos 60 meses, a perda de volume de cartilagem foi 50% menor no grupo PRP (1.171 mm³ vs. 2.311 mm³). O PRP não apenas alivia — pode retardar a progressão da artrose em casos selecionados.
Chu J. et al., Knee Surgery Sports Traumatology Arthroscopy, 2022.Meta-análise de 18 estudos nível 1 (811 pacientes PRP vs. 797 pacientes HA), publicada no American Journal of Sports Medicine (Belk et al., 2020, 308 citações). A melhora média no WOMAC total foi 44,7% no grupo PRP versus 12,6% no grupo HA (p < 0,01). Em 6 dos 11 estudos que usaram VAS, o PRP apresentou significativamente menos dor no último seguimento. O PRP leuco-pobre foi associado a melhores resultados funcionais que o leuco-rico.
Belk JW et al., American Journal of Sports Medicine, 2020.Indicação com mais estudos randomizados. Efeito superior ao corticoide no longo prazo e comparável ou superior ao ácido hialurônico.
Tendão patelar e de Aquiles com degeneração crônica que não responde à fisioterapia isolada têm resposta documentada ao PRP.
Resultados positivos em tendinopatias parciais do manguito. Rupturas completas de espessura total não têm indicação de PRP isolado.
Menos estudos que para o joelho, mas com resultados favoráveis em casos selecionados de artrose leve a moderada.
Com desgaste completo de cartilagem, o PRP perde eficácia. A indicação passa a ser avaliação para prótese articular.
Estudos mostram melhora em fasciíte plantar resistente a tratamentos conservadores após 3 a 6 meses.
⚠️ O que a evidência não suporta: PRP não tem indicação estabelecida para lesões musculares agudas de alto grau, rupturas tendinosas completas, artrose grau 4 ou como substituto de fisioterapia em fases precoces. Usar PRP fora de indicação desperdiça dinheiro e atrasa o tratamento correto.
A primeira consulta (50–60 min) define o grau da artrose, o padrão de dor, o que já foi tentado e se o PRP tem indicação real. Sem essa avaliação, não há como saber se vai funcionar para o seu caso.
Uma amostra de sangue venoso periférico é coletada no próprio consultório. O volume varia conforme o protocolo (geralmente 15–60 ml).
O sangue é centrifugado para separar e concentrar as plaquetas. A concentração final e a presença ou ausência de leucócitos dependem do protocolo — e isso influencia o resultado clínico.
O PRP é aplicado diretamente no joelho, com guia de ultrassom para confirmar a posição intra-articular. O procedimento em si leva menos de 30 minutos. Sem internação.
Restrição de atividades intensas por 48–72h. Reavaliação em 4 a 6 semanas para avaliar resposta. Em casos selecionados, protocolos de 2 a 3 aplicações semanais têm evidência de resposta superior.
PRP tem melhor resultado em artrose grau 1 a 3 — antes do desgaste completo da cartilagem. Quanto mais avançado o quadro, menor a resposta ao tratamento regenerativo e maior a probabilidade de indicação cirúrgica. A avaliação define em que estágio você está e o que faz sentido agora.
Agendar avaliação pelo WhatsApp✝️ Cristão · 👨👩👧 Marido e pai · 🩺 MÉDICO
Ortopedista especialista em coluna, joelho e medicina da dor. Residência no SOTRP de Ribeirão Preto (TEOT 14.706). Subespecialização na Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. Desde 2023 com dedicação exclusiva à Clínica Trate a Dor em Divinópolis, MG.
O PRP é parte de um protocolo maior — nunca uma solução isolada. A consulta define se faz sentido para o seu joelho.
CRM-MG 68724 · RQE 43142